Caminhoneiros ameaçam parar em Goiás após eleição

Lideranças se mobilizam para bloquear estradas em Catalão em protesto ao descumprimento da tabela do piso do frete

 

Irritados com o descumprimento da tabela do piso mínimo do frete e o que entendem ser uma falha da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em fiscalizar, caminhoneiros de Goiás estão se mobilizando para bloquear as estradas em Catalão, na principal rota entre São Paulo e o centro-norte do País, no dia 29, segunda-feira após as eleições.

“Vamos bloquear a pista, as entradas das fábricas. Todos os caminhões que estiverem carregados abaixo do piso mínimo vão ter de voltar para a transportadora. Só sai de Catalão dentro do piso mínimo”, diz Wallace Landim, o Chorão, uma das lideranças da categoria. Assim, o bloqueio deverá atingir as cargas que vêm do sul do País através de São Paulo.

Estado ouviu lideranças em outros locais para avaliar a potencial extensão do movimento. A tendência, pelo menos no momento, é que ele seja localizado. Porém, a iniciativa reflete uma tensão visível em várias áreas do País, por causa da inoperância da tabela do frete. O descontentamento existe, mas as lideranças aguardam a definição do quadro eleitoral para então definir sua estratégia.

À frente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Bens (Sindicam) de São Paulo, Norival de Almeida Silva, o “Preto”, informa que não vai aderir ao movimento do dia 29. Tampouco mobilizará suas bases para outra paralisação que começa a ser articulada para o dia 10 de novembro.

Em Santa Catarina, porém, a categoria deve se reunir nos próximos dias para decidir se adere ou não ao movimento liderado por “Chorão”, segundo informou o autônomo Alexandre Fróes, que atua no Porto de Itajaí. “A movimentação está em todos os Estados”.

Além da mobilização do dia 29, há uma paralisação sendo convocada para o dia 10 de novembro. “Precisamos fazer valer a lei”, disse o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Ponta Grossa (PR), Neori “Tigrão” Leobet.

Dentro da própria categoria há quem coloque em dúvida a efetividade da iniciativa dos caminhoneiros de Goiás. “A ideia é ótima, mas a execução é muito complicada”, avaliou o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga (Sinditac) de Ijuí (RS), Carlos Alberto Litti Dahmer. “Se existe a lei e a penalidade, e o caminhoneiro se sente acuado para cobrar seu direito, não acredito que vá enfrentar a transportadora de cara limpa.”

Uma queixa recorrente dos caminhoneiros é essa: as transportadoras estão pagando frete abaixo do piso mínimo estabelecido nas tabelas da ANTT. Se o caminhoneiro não aceita, ele entra para uma espécie de “lista negra” compartilhada entre as transportadoras e não é mais contratado. Assim, eles se sentem impedidos de exigir seus direitos. Por isso, cobram uma ação mais contundente da ANTT.

A agência, porém, ainda está elaborando uma versão completa das tabelas de piso mínimo do frete e o regulamento com as penalidades para o descumprimento delas. Nada disso está pronto. Existe uma tabela em vigor, feita às pressas para encerrar a paralisação, mas os próprios caminhoneiros reconhecem que ela contém erros.

 

(FONTE: O Estado de S. Paulo)