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Má condição de vias eleva custo do transporte de cargas no Ceará

Consumo de combustíveis e manutenção dos veículos são os principais componentes que aumentam os gastos em 35%. Empresas do segmento repassam a alta, que chega ao consumidor com o encarecimento de produtos

O atual estado de conservação de pavimento das principais rodovias federais e estaduais que cortam o Ceará tem influenciado os custos do transporte no Estado, bem como os resultados econômicos. Segundo levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), a Pesquisa CNT de Rodovias 2019, os gastos operacionais cresceram 35,2% por conta das condições do pavimento.

Os dois principais componentes desse custo são o consumo de combustível e a manutenção dos veículos, ambos impactados diretamente pela boa conservação ou não das estradas. “Quando temos uma via em estado de deterioração alto, o processo de transporte vai acabar consumindo mais combustível e degradando mais o veículo, aumentando os custos de manutenção”, explica o professor de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Bruno Bertoncini.

Ele acrescenta que, além dessas duas variáveis, o custo do transporte de cargas também se eleva com as demoras e atrasos na entrega. “Com as estradas ruins, a carga acaba chegando atrasada, o que fica passível de hora extra para a mão de obra e até o uso de outro veículo para completar a viagem”, detalha Bertoncini.

Reflexo

O diretor do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Ceará (Setcarce), Marcelo Maranhão, confirma que a elevação nos custos na casa dos 35,2% apontados no levantamento da CNT refletem de forma integral a realidade do setor no Estado. “Hoje nós temos três pontos críticos nas rodovias cearenses: a falta de conclusão do Anel Viário, a interdição da ponte do quilômetro 90 da BR-116 para veículos de carga pesada e o acesso ao Porto do Pecém”, enumera.

“Ontem (segunda-feira), nós tivemos uma reunião com a superintendência do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e nos foi garantido que o anel viário estaria pronto até fevereiro. A ponte da BR-116 está sendo trabalhada para conclusão em dezembro. Já em relação ao acesso ao Porto do Pecém, não temos nenhuma promessa de conclusão da obra, que está andando a passos lentos”, lamenta Maranhão.

O diretor do Setcarce ainda teme a chegada da quadra chuvosa e a possível piora da CE-155, que liga a BR-222 ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp).

Perdas e repasses

Para fugir dos prejuízos, as empresas de transporte realizam o repasse em alguma escala desses custos a mais diante das condições ruins de pavimentação das rodovias. “Como em qualquer atividade comercial, a estratégia praticada nos preços é definida pelas próprias empresas. Em geral, em algum momento, esse preço é repassado, o que torna o valor do transporte no Brasil muito alto e, consequentemente, os produtos acabam sendo encarecidos”, diz Bertoncini.

O professor ainda revela perdas de carga ao longo do trajeto. “Há registros de perdas expressivas de produção agrícola, por exemplo, devido às condições de transporte.

Quando se associa o estado de conservação ruim dos veículos, que já possuem uma idade média avançada, com o pavimento deteriorado, na hora que esse veículo passar, vai haver uma perda de produto, até industrializado, dependendo do acondicionamento”.

Bertocini ainda pontua a importância de acompanhamento e gestão, de forma a se operacionalizar em ações. “Estamos falando de um segmento que afeta toda a sociedade. A maneira que a gente se organiza depende muito do transporte de carga. Precisamos ter condições de transporte para que esses bens cheguem íntegros e com preços que a gente consiga ter uma política sustentável”.

Matéria por Carolina Mesquita no Diário do Nordeste.
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